"Ler é bom né" ? O ludicismo literário.


Opinião comum entre os razoavelmente instruídos é a importância da leitura como fator de aquisição de conhecimento. A mídia e a publicidade elevam o livro, o autor e o leitor à condição de protagonistas de um culto à erudição sob o dístico de “ler é bom”, como se dissesse que “ler qualquer coisa é bom” e isso nunca será verdadeiro. Eleva-se o ato da “leitura” ao nível de ritual místico de aquisição de sabedoria, não importando qual o recheio das páginas da entidade sagrada “livro”.

Ora, a leitura é só um meio pelo qual se viabiliza o compartilhamento de idéias, e sempre um juízo de valor deve recair sobre o conteúdo presumível da leitura. Parece óbvio, mas o relativismo moral apregoa que “qualquer leitura é boa” ( menos talvez a leitura que diz que nem toda leitura é boa- quem entende os relativistas?).

Em tempos de livrarias atopetadas de livros de auto-ajuda mística, romances “históricos” e obras “psicografadas” para o público adulto, além de sagas de bruxinhos e vampiros para a juventude, é inevitável refletir sobre os benefícios e estragos que obras deste naipe podem trazer.

A nocividade pode vir de duas maneiras terrivelmente eficazes: primeiro se o conteúdo da leitura for pernicioso por si próprio, deixando sementes daninhas no espírito do leitor; segundo se o teor da leitura for aparentemente inofensivo , mas em realidade danoso justamente por ser um poderoso artefato de destruição do tempo e da disposição em buscar edificação pela leitura. Por exemplo: uma pessoa que está lendo “A Misteriosa História do Gato de Cleópatra na Corte de Marco Antonio”, com 960 páginas - (título fictício, não procure nas livrarias) - não lerá por um bom tempo algo que tenha algum real valor intelectual agregado. Ponto para as trevas da ignorância (apesar de um ganho de 10 palavras no vocabulário).

Por óbvio, até a bula do Tylenol traz algum tipo de ganho intelectual ao leitor atento, e sempre haverá o argumento de que em qualquer texto há o cultivo do “hábito de ler”. Mas entendo que a mensagem prevalece sobre o meio em nossa escala de prioridades, de modo que se houver um interesse despertado nisso tudo, será em outros livros sobre bruxinhos e magos que dizem fazer chover. Na hipótese de o interesse migrar para outros temas mais edificantes, será a leitura feita com o mesmo “animus” motivador, ou seja: busca por distração, fantasia e superficialidade. Um aficionado leitor de Paulo Coelho achará muito chato qualquer livro que fale sobre espiritualidade sem discorrer sobre espadas mágicas, rituais ocultistas e sabedorias secretas... Ponto para as trevas.

Não há neutralidade espiritual em absolutamente nada, quanto menos em um meio de comunicação de idéias. Ao ler esses multiformes manuais de auto-destruição, há dano em duplo efeito: a ação de se infundir baboseiras na mente e a omissão em buscar real expansão dos horizontes mentais pela leitura edificante que se deixa de fazer.

A atitude positiva de selecionar como “perderemos” nosso tempo e paciência não pode ser confundida com intolerância à qualquer leitura que não seja “útil”. O problema é que impera no universo literário um extremo e conveniente “distracionismo”, onde se escreve “sob demanda”, pois somos também nisso conduzidos pela economia de mercado. Eles, os autores, os editores e os livreiros querem vender papel impresso e encadernado, não importando o que está escrito nele. A lógica do negócio : livro bom é livro que vende. Então as livrarias estão cheias de todo tipo de lixo lúdico e baboseira de auto ajuda.

Ao grande escritor Luiz Fernando Veríssimo, o melancólico ateu irônico, foi perguntado o que achava da inundação das livrarias por títulos vampirescos infanto-juvenis, ao que ele respondeu  que não via nada de errado em qualquer coisa que encha as livrarias, pois os editores vivem da venda de livros...

O livro é um agente poderoso. Uma vez distribuído ganha autonomia e, teoricamente, se põe para a eternidade. Tal qual um tiro de canhão, um livro vez que disparado, não volta mais à origem. São como esporos em hibernação, esperando as condições favoráveis para agir, independentemente de o autor reformular suas idéias ou a mudar seu pensamento.



Lançado ao mundo, o texto tem paciência para esperar quando um leitor o apreciará. Ele pode ficar dias, semanas, décadas num canto empoeirado da casa ou da Internet até alguém o descobrir. Um autor morto ainda continua a causar virtude ou desgraça nas gerações que o seguem.

Como cristãos, podemos entender que todo e qualquer livro que  não nos serve, também não poderá  servir para mais ninguém, devendo ser descartado para todo o sempre. Lembre-se: são sementes.



A Utilidade de uma fogueira

Dito isso, gostaria de chamar a atenção para a importância de uma fogueira caseira.

Os cultuadores incondicionais da entidade “livro” abominam qualquer alusão à destruição do papel encadernado, pois entendem isso como um atentado à cultura. Logo são invocadas as históricas fogueiras de livros levadas a efeito por tiranias obscurantistas. O livro é tratado como uma entidade monolítica portadora do conhecimento e da cultura. Um "livro" se justifica por ele mesmo. Mas será? O sistema capitalista transformou o livro (e quase tudo o mais) em mercadoria, e mercadoria boa é a que vende. Tudo o que o consumidor pagaria para ver num livro, o mercado proporciona. E nem tudo é bom. O desvirtuamento de valores atrai ? Venda! O ocultismo barato? A auto-glorificação? O egoísmo de auto-ajuda? Venda!  

Um dia vemos que nossas estantes de livros estão pesadas, mas não de sabedoria. Há muito  lixo capaz de desperdiçar tempo pelo ludicismo literário estéril, amortecer consciências e desintegrar famílias. Então, uma fogueira é legítima defesa.

O livro de Atos dos Apóstolos traz uma estória muito elucidativa: antigos seguidores das “artes mágicas” que se converteram à Verdade de Cristo reuniram todos os seus livros de ocultismo e os queimaram em praça pública, apesar do alto custo daquelas obras. Assim, extirparam as sementes do mal:

Também muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros, e os queimaram na presença de todos e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinqüenta mil peças de prata. Assim a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia”. (Atos 19: 19-20)

Convido os leitores para uma busca em suas gavetas e prateleiras (não, você não pode pegar livos dos outros) e, num local seguro transformar em cinzas alguns aparatos do mal.

[F.R. Luz]
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8 comentários:

  1. Caro "Anônimo" :

    1) Chamar alguém de "nazista" é crime de difamação(artigo 139 do Código Penal);
    2) Prezo tanto a liberdade de expressão quanto a faculdade de queimar os MEUS livros que não se adequam ao meu modo de ver a vida;
    3) Prezo também a "livre circulação de idéias", inclusive da idéia de que livro que não presta deve ser queimado; Você acha que não né ?
    4) Os livros de ideologia nazista devem ser queimados ? Eu acho que sim. Você acha que não né ?
    5) Leia de novo o texto, com calma, respirando fundo e com um bom dicionário ao lado. Quem sabe dessa vez vc entenda.

    6) Volte sempre.

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  2. 1) Então vai lá dizer para o juiz que você queima livros.

    2) Eu já li um monte de livros e textos dos quais eu discordo. Isto só aumentou meu entendimento e compreensão acerca da diversidade de idéias. Queimar livros mostra que você está mais interessado em destruir do que entender e compreender.

    3) O bom da liberdade de expressão é que toda a maleficência da idéias como a sua possa ser exposta.

    4) Você quer ser um monstro igual ao que você diz discordar?

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  3. ) Dizer para o juiz que eu queimo livros ? Ué, queimar livros próprios agora é crime ? De que país vc é ? Além de ser um raciocínio estranho (relacionar nazismo com descarte de livros)...

    2)Eu não preciso experimentar uma água de esgoto para saber que ela é nociva. Captou ? Eu não preciso guardar lixo no armário para saber que ele fede...Não preciso ter um maço de cigarro guardado em casa para provar que resisto ao charme da fumacinha..E por aí vai.

    3) Quem está contra a liberdade de expressão ? Eu ? Será que vc entendeu que eu sugeri proibição de livros não criminosos ? Não. Sugeri que quem não gosta de cachaça, não a compre e nem a mantenha em casa. Jogue fora a "mardita"...

    4) Vamos esclarecer que livros "nazistas" e outros de apologia ao crime são proibidos. Não pelos cristãos, mas pela lei. Chega de falar disso, nem eu nem vc somos nazistas. Estou falando de DISTRACIONISMO ESTÉRIL, LUDICISMO LITERÁRIO E OCULTISMO SEM DEUS.

    Obrigado.

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  4. Um livro, qualquer que seja, ainda é um registro de que alguém, em algum lugar e algum momento, teve estas ou aquelas idéias.
    Se este registro lhe for útil, você guarda. Se for inútil, você repassa para alguém que o considera útil.

    Agora, qual o sentido de destruir este registro? Será que é medo de alguma coisa? Sua fé é tão fraca e você é tão inseguro que você destrói um livro por medo de ser persuadido por este?

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  5. Anônimo:

    "Um registro de que alguém, em algum lugar e algum momento, teve estas ou aquelas idéias" - Bonita retórica... Mas simplista.
    Atribuir o repúdio (do qual a destruição dos "registros" é um aspecto) ao "medo de ser persuadido" é um pouco superficial. Veja só: eu repudio com todas as letras os livros de um tal Dalton Trevisan, escritor aqui de Curitiba. Vários motivos me fazem repudiar estas "obras": pobreza vocabular e alusões à pedofilia dentre elas. Por que raios de motivo eu vou guardar um livro do cara (que eu fui obrigado a ler para o vestibular) ? Eu nunca ofereceria esse tipo de livro para um amigo ou mesmo para um inimigo porque acho que absolutamente não traz NADA de bom e AJUDA A PIORAR o que é ruim.
    Vamos exagerar para ilustrar: existem por aí, vários livros que instigam e até ensinam o suicídio. Se uma praga dessas cai em minhas mãos, será que eu devo presenteá-la a alguém, ou mesmo guardar em minha biblioteca ? Acho que não.
    Pois bem, para nós, cristãos convictos na salvação da alma única e exclusivamente por Jesus Cristo, livros que desencaminham, que apontam outros (falsos) caminhos, são AINDA PIORES do que um manual de suicídio, pois estamos tratando de eternidade.
    Obrigado.

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  6. Os livros nao sao nada mais do que uma coleçao de ideias, assim como musicas e filmes.

    Deve ser evitado tudo oque piora e confunde nossa mente,concordo com seu texto, afinal somente um tolo procura ideias a esmo.

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  7. Fabricio_Luz05/07/2010 13:10

    Obrigado pela visita "Anônimo" de 03/07.

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  8. Legal, devem ser bons os livros desse Trevisan. Vou procurar! Valeu pela dica!

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